Mato Grosso sem lei: a revogação da democracia
Por Fausto Oliveira (http://www.fase.org.br/_fase/pagina.php?id=1665)
Veja no You Tube o vídeo "Amazônia - Uma região de poucos", com os acontecimentos de Juína, MT.
Ou veja por aqui
São comuns nos rincões do Brasil, ainda e infelizmente, as violações a direitos fundamentais. O caso do Mato Grosso, contudo, está chegando a níveis mais que alarmantes. O episódio vivido por uma equipe do Greenpeace, Operação Amazônia Nativa (Opan) e dois jornalistas franceses, na semana passada, é um escândalo que ultrapassa todos os limites aceitáveis numa democracia. Presentes na cidade de Juína, noroeste do MT, para conhecer a situação do povo indígena Enauenê Nauê, os integrantes das organizações e os jornalistas foram ameaçados, intimidados, perseguidos e por fim expulsos. Ouviram de fazendeiros que se visitassem o povo Enauenê, seriam agredidos. Tudo isso na frente do prefeito, que fez coro com as ameaças, e da polícia. Um fidelíssimo retrato do Mato Grosso sem lei pode ser visto na internet, num vídeo sobre o episódio feito pelo Greenpeace publicado no site You Tube.
Tudo começou quando a equipe chegou a Juína. Antes mesmo de iniciar a visita aos indígenas, o hotel onde eles se hospedaram foi cercado por dezenas de fazendeiros enfurecidos. A equipe foi forçada a ir até a Câmara Municipal, onde fazendeiros, policiais e o prefeito Hilton Campos se reuniram para ofendê-los e ameaçá-los. Ali, o prefeito disse, como está registrado no vídeo, o seguinte: “Nós não vamos deixar vocês entrarem na área”. O ruralista Aderval Bento, presidente de uma associação de produtores rurais da região, afirmou que eles fechariam a rodovia caso a equipe insistisse em ir até a aldeia. Outro fazendeiro não identificado definiu a situação ao fazer a seguinte pergunta: “A imprensa internacional tem direito de vir aqui e levar informações sabe lá para onde sobre os nossos índios? Porque os índios são nossos!”. Em seguida, as imagens mostram o prefeito dizendo que a Opan, o Greenpeace e os jornalistas “são persona non grata na nossa comunidade”.
A sessão na Câmara Municipal de Juína terminou com o cancelamento da visita da equipe aos indígenas. A pressão estava grande demais, por isso a equipe avaliou que seria melhor recuar. De fato, o que aconteceu depois confirmou que o clima não estava para ousadia. Paulo Adário, coordenador do Greenpeace, pediu escolta policial para ir até o ponto de encontro com os indígenas e informar que a visita teria que ser cancelada. A polícia os escoltou, mas não impediu que os fazendeiros os perseguissem de carro e observassem a curta distância o constrangido encontro da equipe com os Enauenê. Depois, eles voltaram ao hotel, de onde foram impedidos de sair. Passaram a noite cercados pelos fazendeiros, que fizeram uma vigília noturna e criaram confusão no saguão do hotel. Também isto é mostrado no vídeo.
Na manhã seguinte, saíram em direção ao aeroporto. Sozinhos? Livremente? Não, com uma carreata de fazendeiros que buzinou ao longo de todo o caminho. Ao embarcar no avião, os fazendeiros foram até a beira da pista de decolagem e ofenderam o grupo com berros e palavras de ordem. Assim terminou este episódio que deixa claros alguns fatos inquestionáveis com relação ao poder do agronegócio no Brasil e no Mato Grosso, em particular: 1) no meio rural, a democracia é letra morta, pois mesmo as autoridades públicas concordam com violações de toda ordem, como a restrição à liberdade de ir e vir, de informação e expressão. 2) Vale todo tipo de coação em nome dos interesses do capital rural, com o beneplácito do poder público. 3) A própria noção de que há coisas públicas inexiste, como exemplificam os fazendeiros de Juína ao afirmar que a cidade é sua, a terra é sua, os índios são seus, a prefeitura é sua, cabendo somente a eles permitir ao restante do mundo entrar ali para qualquer finalidade que seja.
A visita que não aconteceu – A equipe da Opan, Greenpeace e jornalistas franceses tinha um único propósito: demonstrar que o território onde vivem os indígenas Enauenê Nauê está sendo desmatado pelo agronegócio. Trata-se de um povo indígena com contato com não índios relativamente recente (século 20). Parte de sua terra foi demarcada em 1996, mas ainda têm direito a outros territórios que são considerados sagrados e que compõem o ambiente onde vivem tradicionalmente. Quem vir o vídeo no You Tube também vai conhecer as ameaças feitas não às pessoas que ainda poderiam sair dali, mas aos índios, que não têm alternativa senão ficar onde sempre estiveram.
Por aqui, as coisas funcionam assim, a existencia de conflitos como este não se restringem a Juína...Estamos lutando!
E ai igor bota o link do blog do raizes, a gente ja pos o o link pro seu lá!!
http://raizesefrutos.blogspot.com
abrços
Postar um comentário